
Você jura dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade? Juro! Você pediu só uma informação no dia treze de julho de dois mil e onze? Sim. Protesto! É mentira desse mentiroso do caralho! Juiz esse bosta tá mentindo com a cara mais lavada do mundo. Aonde já se viu isso?! Ninguém que se aproxima ‘gentilmente’ de um funcionário de banco pede apenas uma informação. Quem pede uma, quer logo duas, três, já vai pedindo um ‘baguncinha’ pra viagem. Eu exijo que esse cara seja o último da fila de espera.
Negado. A testemunha pode se retirar. Ah então é assim que vai ser? Que se danem as regras, as senhas, as pessoas que ficam horas nos bancos dos bancos. Isso é uma vergonha! Eu quero ser atendido por outro juiz! Desculpa mas o senhor vai ter que aguardar. O quê? Eu disse que o senhor vai ter que aguardar pra ser atendido. Não foi isso que eu perguntei. O que foi então senhor? Perguntei o que eu vou aguardar, a sua cara de bunda se desfazer ou o próximo juiz aparecer? Senhor para esse tipo de informação é preciso pegar uma senha e esperar.
Depois dessa, só uma cadeira elétrica pra me acalmar.

Que raio de conselho é esse (se é que pode ser considerado um)? Lá está você na divisa do Estado de Crise com a Tolerância Zero e alguém que você nunca ouviu falar te fala que a melhor coisa a se fazer é não fazer absolutamente nada. Assim não pode, assim não dá. Mas pior que dá.
O normal seria pegar o que se tem e agir por im (pulso), mesmo que você o perca no meio do caminho e chegue sangrando horrores ao seu destino, por bem ou por mal, fez valer a pena cada gota de suor. Agora, quem preferir escutar a voz da experiência, que não é a minha, não mova um músculo sequer. Sério.
Tente a oração ao invés da razão, a voz que passeia pelo seu interior dizendo que a paciência é a ciência que tolera qualquer perda ou fracasso, e dela, certamente brotam experiências magníficas, duradouras, sinceras. Tudo que a vem seguir depende apenas de um conselho e uma atitude: ficar parado é o que move o mundo.

A Dafra não se contenta em apenas quebrar, ela tem que colocar a sua vida em risco. Não entendeu? Então dá uma olhada no que sobrou da moto ao voltar do cinema tarde da noite, a prova cabal que é mais seguro ir a pé ou pegar um ônibus do que subir numa Dafra.

Ontem voltando a pé pra casa, a única coisa em que pensava era qual caminho pegar: o certo ou o duvidoso. O certo era mais longo, cheio de obstáculos, com um montão de gente tentando barrar qualquer tentativa estúpida da minha parte. O duvidoso era quase ali, virando a esquina, a poucos metros do meu trabalho e se você quisesse poderia tocá-lo facilmente com a ponta dos dedos.
Só havia um problema nisso tudo, o tal do pescoço. É ele quem comanda a cabeça e não o contrário. Se for para um lado é porque ele quis aquele lado, se for para outro é porque não havia alternativa mais sensata que se conformar. Minha cabeça queria muito fazer aquela tatuagem, mas o tal do pescoço fazia a tal da cabeça girar da esquerda pra direita num movimento quase que involuntário, no entanto, bem convincente.
Alguém teve que ceder. Como até hoje ninguém vive sem a cabeça, o certo prevaleceu.

A última da minha torradeira: tá bom assim ou prefere esquentar as coisas? Fiz que sim com a cabeça pra segunda opção, e ela, toda nervosinha, pensou que eu estava de pouco caso com sua tomada de atitude em apimentar a relação, que do nada pulou fora da minha vida e nunca mais ligou sua ‘luzinha padrão’, aquela logo abaixo da trava de segurança. Todo homem que adora uma torrada sabe do que estou falando.
Ela é somente um objeto, cara - esse é o meu companheiro de quarto tentando me persuadir a não ligar de volta - parte pra outra, tem uma penca de novos modelos por aí dando mole, duro ou do jeito que você quiser. É só escolher. Não marca bobeira. Na hora que você pegar uma de marca não vai mais querer saber dessa ‘falsificada’. No fundo, quase chegando ao poço, eu sabia que ele estava certo.
Resolvi tentar. Talvez encontre minha torrada pela metade, dando sopa, aliás, uma torradinha mergulhada numa calda quente bem temperada é o que me faria feliz neste momento de tão pouca sorte no amor. Tive azar no jogo, mas prometo que vou reverter o placar, agora quem vai pagar pra ver é ela, não serei eu. Chega de choramingar. Torrada com requeijão light aí vou eu. Chega de carboidratos.